Guia para uso de Tintas e Solventes

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Importante: Este é um guia básico, orientado para modelistas iniciantes, que eu distribuía aos clientes de minha loja de modelismo. Embora a pintura seja uma operação relativamente simples, a diversidade de materiais à disposição do modelista, a possibilidade de cada um desenvolver suas técnicas e, principalmente, as suas preferências pessoais, torna qualquer tentativa de escrever “guias de pintura” um desafio, pois sempre haverá alguém que tenha uma opinião diferente. Dessa forma, peço desculpas aos “veteranos”, caso minhas orientações, aqui, difiram um pouco das suas preferências pessoais.

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A correta preparação das tintas é fundamental para um bom resultado do trabalho de pintura de um modelo. Siga sempre a orientação do fabricante da tinta de sua preferência.
Em caso de dúvidas, observe as seguintes recomendações básicas:

Tintas Testors da série Model Master
Foram especialmente desenvolvidas para uso em aerógrafos mas apresentam um ótimo resultado também nas aplicações à pincel. Geralmente vêm na viscosidade adequada para pincel. Para aplicação com aerógrafo devem ser diluídas com solvente apropriado (aguarrás ou terebentina) antes de serem usadas.
Para pintura com aerógrafo, use a seguinte preparação:
– Tintas Foscas (enamel): 1 parte de solvente para 3 de tinta (1:3)
– Tintas Brilhantes (enamel): 1 parte de solvente para 3 de tinta (1:3)
– Tintas Acrílicas: 1 parte de solvente (água ou álcool) para 4 de tinta (1:4)

IMPORTANTE: Algumas tintas especiais da Model Master, como as “Metalizer”, já vêm prontas para aplicação com aerógrafo e não precisam ser diluídas.

Tintas Humbrol (Esmalte/ Enamel)
Seguem basicamente as mesmas recomendações da Model Master.

Tintas Pactra (Esmalte/ Enamel)
Seguem basicamente as mesmas recomendações da Model Master.

Tintas Sintéticas de Uso Geral (Esmalte Sintético Nacional)
– Tintas Brilhantes: 1 parte de solvente (aguarrás) para 2 de tinta (1:2)
– Tintas Acetinadas: 1 parte de solvente para 2 de tinta (1:2)
(em alguns casos poderá ser necessária uma diluição maior)

Tintas Automotivas (Duco ou Sintética)
– 1 parte de solvente (redutor) para 2 de tinta (1:2)
(em alguns casos poderá ser necessária uma diluição maior)

Tintas Gunze, Tamiya e Hobby Cores (Acrílica / Acrylic)
– 1 parte de solvente (água ou álcool) para 3 de tinta (1:3)
(em alguns casos poderá ser necessária uma diluição maior)

Tintas Aeromaster (Esmalte e Acrílica)
– Warbirds Enamel: 1 parte de solvente para 2 de tinta (1:2)
– Warbirds Acrylics: 1 parte de solvente (água ou álcool) para 4 de tinta (1:4)
(em alguns casos poderá ser necessária uma diluição maior)

IMPORTANTE: De modo geral, não se deve retornar uma tinta já diluída para o frasco de tinta virgem. Em caso de sobra de tinta diluída, guarde-a num frasco em separado.
As tintas para uso em aerógrafos deverão estar completamente isentas de detritos ou corpos sólidos, tais como pedaços de tinta ressecada, fiapos de tecido, etc., que podem entupir o bico e danificar a agulha.
O pigmento das tintas, principalmente das foscas, costuma assentar no fundo do frasco causando “pelotes” de pigmento quando se mistura a tinta com pincel ou espátula.
Para reduzir este problema é aconselhável misturar bem a tinta com o cabo de um pincel pequeno ou com um pedaço da “árvore” do kit e depois agitar vigorosamente o frasco por pelo menos 2 minutos ou até a completa dissolução do pigmento. Em caso de necessidade, adicione um pouco de solvente apropriado.

De modo geral, cada tinta possui suas características peculiares quanto às características de alastramento (capacidade de se “espalhar” sobre uma superfície), aderência e acabamento final.
A tinta para aplicação à pincel deve ter uma boa capacidade de alastramento, de maneira a cobrir rapidamente o “rastro” dos pêlos do pincel e ajudar nas emendas das pinceladas.

O esmalte sintético nacional (Coral, Suvinil, etc.) é uma tinta que tem excelentes características de alastramento, mas possui uma secagem relativamente demorada, o que não agrada alguns modelistas.
Por outro lado, uma tinta que seque muito rápido (como o Duco automotivo ou as tintas acrílicas) não serve para uso com pincel pois seca antes de cobrir as marcas do pincel. Além disso o solvente para Duco (thinner) ataca o plástico estireno dos kits.
Pinturas brilhantes, como a de carros e de aviões comerciais também necessitam de bom alastramento. Tintas que secam muito rápido (em menos de 5 minutos) não costumam apresentar um bom resultado final em acabamentos brilhantes, mesmo em aplicações com aerógrafo (é o caso do Duco, que freqüentemente precisa ser polido para adquirir brilho).

As tintas foscas devem ser adequadamente diluídas quando aplicadas com pincel de modo a aumentar as suas características de alastramento. A tabela anterior dá uma idéia da proporção de diluição necessária para cada tipo de tinta. É importante lembrar que as proporções sugeridas são apenas uma referência básica, que podem variar conforme o fabricante, o lote de produção e até mesmo a idade da tinta. A melhor referência sempre será a prática.

Uma dica prática para a diluição de tintas é o “teste da gota”:

Dilua a tinta com o solvente recomendado e teste a mistura mergulhando um pincel pequeno na tinta e retirando-o rapidamente, numa posição oblíqua (cerca de 45°):
– Na mistura para pincel, a tinta deve escorrer de modo a formar uma breve gota na ponta do pincel e cair logo em seguida. A consistência da tinta deve se assemelhar a um líquido ligeiramente grosso mas sem ser pastoso. Algo como milk-shake ou bebida láctea (iogurte batido com leite).
– Na mistura para aerógrafo, a tinta deve escorrer rapidamente, quase sem formar uma gota. Deve se assemelhar a um líquido fino, um pouco mais denso que a água. Algo como leite com achocolatado.

Em todo caso, nenhuma “regra de prateleira” substitui a prática e a experiência. Até que o modelista se sinta seguro com a técnica que pretenda utilizar, convém sempre observar as seguintes recomendações:

1- Pratique. Só a prática trará o conhecimento e a habilidade necessária para um bom trabalho de pintura.

2- Nunca “pratique” pintura ou faça “experiências” no próprio modelo que está montando. Use um modelo velho, que você não queira mais, brinquedos quebrados, sucata, etc. Quando se sentir seguro, parta então para o modelo de verdade.

3- Se você errou, paciência. Pare e avalie a situação antes de tomar qualquer atitude precipitada. Muitas vezes a situação não é tão ruim quanto parece e, afinal, todo acontecimento se traduz em aprendizado e experiência. Faça de toda aparente “tragédia” uma oportunidade de experimentar novas técnicas e soluções.

4- Na mistura de tintas ou diluição destas com solvente, vá devagar, aos poucos. Lembre-se de que se você colocar mais tinta ou solvente que o necessário não haverá como “tirá-lo” de volta. É preferível errar na dose para menos (o que tem conserto, bastando adicionar mais), do que errar para mais (aí não tem como “tirar”).

5- A maioria das tintas clareia um pouco depois de secas, principalmente as foscas. Antes de pintar o modelo, verifique a tonalidade final da tinta, aplicando-a numa superfície qualquer e deixando secar.

6- Nunca manipule um modelo ou aplique máscaras com a tinta ainda fresca. Algumas tintas parecem secar rápido mas, na verdade, foi apenas o solvente que evaporou. A maioria das tintas leva pelo menos 12 horas para “curar” (endurecer). O ideal é sempre deixar uma pintura secar até o dia seguinte (ou por até dois dias, com tempo úmido e frio).

7- Nunca deixe o modelo diretamente no sol ou em lugares quentes para acelerar a secagem da tinta. O calor poderá entortar o plástico e estragar sua obra de arte. Em dias frios, mas com sol, o modelo poderá ser colocado para secar ao sol, dentro de uma caixa de papelão..

8- Trate bem do seu equipamento de pintura, principalmente aerógrafos. Equipamentos maltratados podem falhar no momento em que você mais precisa deles.

9- Não tente “redescobrir a roda”. Troque idéias com seus colegas modelistas. A experiência deles poder ser útil para você também. Mas…

10- Não acredite em tudo o que você lê ou ouve a respeito de modelismo. Muita gente costuma disseminar idéias errôneas (às vezes até mesmo de boa-fé) por ter “ouvido dizer” e não verificar a sua veridicidade (veja o exemplo sobre “thinner”, no final deste artigo). Com relação a materiais de montagem e pintura, leia tudo o que lhe cair nas mãos, principalmente os rótulos e instruções de uso. Em caso de dúvida, peça mais informações ao fabricante e, ainda assim, verifique os resultados práticos, fazendo testes pessoalmente.

SOLVENTES

A utilização do solvente adequado é fundamental para a qualidade do acabamento final.
Todas as tintas são formuladas com base num componente químico polimerizável (plastifica quando seca), normalmente diluído num solvente.
A função do solvente é manter as partículas da tinta em suspensão e proporcionar a viscosidade adequada para a aplicação. O solvente evapora após a aplicação, deixando somente o pigmento polimerizado sobre a superfície pintada.
A única exceção são as tintas de base dupla (conhecidas como epoxi), que utilizam um agente catalisador para “secar” e não dependem da evaporação do solvente.

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Veja abaixo, o solvente adequado para cada tipo de tinta:

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– Esmaltes (Enamel, em inglês): São as tintas Model Master, Aeromaster, Humbrol, Revell, importadas e a Usual Color Line, nacional. Para sua diluição deve ser usado o Aguarrás mineral ou o Aguarrás vegetal (terebentina, usada na pintura de telas).

– Esmalte Sintético (nacional): Coral, Suvinil, Ypiranga, Universo, etc. (aquelas que são vendidas em latas). Use Aguarrás mineral ou vegetal.

– Tintas Acrílicas (Acrylic, em inglês): São encontradas principalmente nas marcas Tamiya e Gunze (importadas) e Hobby Cores (nacional), mas são também fabricadas em algumas tonalidades pela Testors, Aeromaster e Humbrol. Use água destilada e desmineralizada (comprada na farmácia). Evite usar água da torneira, pois o cloro e outros componentes químicos podem alterar as características da tinta. Para uma secagem mais rápida, na aplicação com aerógrafo, pode-se utilizar o álcool etílico (doméstico) ou isopropílico (não use metanol ou álcool combustível). Por secar rápido, o álcool não é um solvente recomendado para pintura com pincel.

– Laca Nitrocelulose (Duco Automotivo):
Use o Redutor (Thinner) indicado pelo fabricante (há vários tipos de redutores, para diferentes acabamentos e condições atmosféricas). Obs.: O Duco é uma tinta indicada somente para uso com aerógrafo e por modelistas experientes. Tenha muito cuidado ao usar tintas tipo aerosol (Spray automotivo em lata) pois elas atacam o plástico estireno dos kits.

– Laca Acrílica (Automotiva): Idem ao Duco.
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– Tintas de Base Dupla (Epoxi): Utilizam um catalisador para secar, não precisando de solvente. Por serem caras e complicadas para usar não são muito indicadas para modelismo. Além disso, a maioria delas ataca (literalmente “derrete”) o plástico dos kits.

ATENÇÃO! O que é “Thinner”?

Nos rótulos de tintas e folhetos de instruções de equipamentos de pintura importados (tais como aerógrafos), é grafada a palavra “Thinner” para se referir ao solventeindicado para a diluição das tintas e limpeza do material.

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Thinner significa “solvente” em inglês e, portanto, pode ser qualquer tipo de solvente, até mesmo a água, dependendo do tipo da tinta em questão.

Assim, por exemplo, Enamel Thinner, significa “Solvente para Esmalte Sintético”, ou seja, pode ser aguarrás ou terebentina, dependendo do fabricante.
Acrylic Paint Thinner, significa “Solvente para Tinta Acrílica”, sendo este geralmente à base de álcool isopropílico e, como já vimos, pode ser usada água como substituto.

Aqui no Brasil, a palavra “Thinner” costuma ser usada, erroneamente, para designar unicamente o solvente para tintas automotivas (Duco ou Sintética), como se Thinner fosse um TIPO de solvente, o que não é verdade (tecnicamente, o nome correto adotado pelas indústrias de tinta nacionais é “Redutor”, o que pode ser observado em qualquer embalagem do produto).

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Dessa forma, devido à grafia “thinner” nos rótulos de produtos importados, muitos modelistas costumam achar que o thinner para Duco pode ser usado para diluir qualquer tinta, o que não é verdade. O “Thinner” vendido nas lojas de tintas aqui no Brasil é indicado somente para as tintas AUTOMOTIVAS.

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Se você usa outro tipo de tinta, veja no texto o tipo correto de solvente para sua tinta.

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Em caso de dúvidas quanto ao tipo de tinta adequada para pintar seu modelo ou quanto ao tipo de solvente indicado para a tinta que você está usando, estejam livres para me escrever.

Nota: Alguns modelistas costumam utilizar o thinner automotivo para diluição de suas tintas para modelismo, inclusive sintéticas e acrílicas. Isso é possível, mas somente para quem usa aerógrafo e para a diluição da tinta que você vai usar imediatamente. O thinner não deve ser usado para a diluição da tinta que fica no vidro, pois este solvente costuma reagir com a resina das tintas, estragando-as (a tinta fica “coagulada”, como leite talhado). Eu, pessoalmente, não recomendo o uso do thinner pelo modelista iniciante (eu também não uso). Em todo caso, cada modelista é livre para fazer suas experiências e adotar a técnica que for do seu agrado.

Fonte: http://aviationexperten.sites.uol.com.br/mod_002.htm

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